terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Amar é para poucos


A capacidade de amar, assim como a coragem ou a inteligência, não é do mesmo tamanho em todos nós. Eu sou forçado a lembrar disso todo vez que converso com S., uma amiga de Brasília que é, possivelmente, a mulher mais apaixonada do mundo.

Quando falamos, na semana passada, ela estava em preparativos para um novo casamento. Conheceu o rapaz há poucos meses, está profundamente envolvida e, sem temor aparente, se prepara para iniciar uma vida comum. Não é a primeira vez que ela faz isso e é provável que não seja a última, mas, assim como no passado, avança para o casamento com a convicção tranquila de que, se alguma coisa der errada, não será por falta de amor, lealdade e dedicação da parte dela.

Ao contrário da minha amiga, que tem uma facilidade até exagerada de se vincular, muitos de nós sofremos do oposto: uma enorme dificuldade em criar ligações profundas e verdadeiras. O sintoma mais comum é que vivemos atormentados por dúvidas sobre a intensidade e a profundidade dos nossos sentimentos. Quem tem uma conexão emocional profunda não se pergunta a todo o momento se deveria seguir em frente ou tentar com outra pessoa.

Muitos acham difícil construir mesmo essa ponte precária em direção aos outros. Há pessoas para quem o ato de se entregar emocionalmente nem existe. Elas sentem-se de alguma forma isoladas mesmo sendo parte de um casal. Gostam, compartilham, respeitam, transam intensa e prazerosamente, mas não se sentem vinculadas. Há uma barreira invisível de privacidade que jamais é rompida. Persiste a sensação de que o outro é fundamentalmente um estranho. A delícia de sentir-se íntimo, que na minha amiga é natural como respirar, nunca foi experimentado de forma duradoura por milhões de pessoas.

Quando penso em mim e nas pessoas que conheço intimamente, me parece que existe uma progressão que vai dos apaixonados incondicionais às pessoas que não conseguem se vincular – e que a maioria de nós se encontra emocionalmente em algum ponto entre esses dois extremos. Temos graus variáveis de dificuldade para amar e sair de nós mesmos, mitigados por períodos de entrega e arrebatamento.

De qualquer forma, a ideia de que somos todos iguais diante do amor, e que a única dificuldade está em encontrá-lo, me parece falsa – ou pelo menos exagerada. Postos diante da possibilidade do amor, uns não conseguirão reconhecê-lo e outros terão impulso de afastar-se. Poucos serão capazes de abraçá-lo assim que ele virar a esquina. Somos diferentes também nisso.

Se pensarmos na dificuldade de se vincular como um problema, ele talvez seja mais comum entre os homens (embora eu conheça mulheres que também preferem manter-se a uma distância emocional segura). Quantos caras você conhece que trocam periodicamente de parceiras sem estabelecer um vínculo real com qualquer uma delas? Esse tipo de comportamento pode ser tanto o resultado de uma opção social quanto de uma deficiência emocional. Talvez haja alguma verdade no clichê rancoroso sobre “homens incapazes de amar”.

As causas dessas dificuldades são, para mim, insondáveis, mas me parece óbvio que o caos interior e a ansiedade em que boa parte de nós vive não ajuda a gostar de ninguém. Como criaturas tão atormentadas por seus próprios demônios conseguiriam reunir a atenção e a generosidade que o amor exige? É fácil proclamar-se apaixonado ou apaixonada a cada esquina, de forma imaginária e histérica. Mas manter um afeto duradouro na vida real exige mais do que pirotecnia e rock and roll. Exige sentimentos profundos que alguns de nós não são capazes de oferecer.

As consequências da dificuldade de amar são óbvias. A primeira é o sofrimento que ela impõe aos parceiros. É duro lidar com alguém que não está 100% ali. É chato confrontar-se com a hesitação de quem não sabe o que sente. Dói lidar com a aspereza de quem não consegue se coloca na pele do outro – ou não permite que o outro entre sob a sua própria pele.

É evidente, também, que gente com dificuldade em se entregar não tem relações satisfatórias. Para que elas existam, os laços afetivos têm de estar ancorados em algo mais sólido do que os nossos desejos imediatos, que variam de um dia para o outro. Mas a criação de laços duradouros não se faz por um ato de vontade. É preciso ser capaz de gostar, amar e confiar. É preciso sentir-se parte de algo - e alguns de nós, muitos de nós, não conseguem sentir-se parte de coisa nenhuma.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Você tem fome de que?

 
Sinceramente nunca acreditei em amor Miojo, calma que já vou explicar o que é.
Amor Miojo é aquele que você faz e acontece porque é fácil, é conveniente porque ta ali dando sopa no armário, é prático e não da dor de cabeça pra fazer. Não tem receita e o modo de fazer é simples, qualquer um sabe, esquenta a água e joga a bagaça, três minutos e pronto!

O amor Miojo é a mesma coisa, a pessoa está sozinha, não tem nada pra fazer, ta de bobeira e de repente fica com alguém, diz que ama, mas no fundo sabe-se lá, era o que estava mais fácil, tava dando sopa ali disponível também, não tem segredo, é ‘‘pa pum’’, nada de conquista, flerte e nem aquela coisa gostosa que rola antes. É o que tinha pra hoje.
Claro, tudo na vida tem um preço. O miojo não é suficiente pra saciar a fome, logo mais você vai pedir outra refeição, vai sentir falta daquele pão de queijo que da trabalho pra fazer, mas que é mais saboroso, sustenta e engorda, como tem que ser.
Como o amor de verdade, já reparou que o amor engorda?  
O amor de verdade não é Miojo, não é instantâneo e nem fácil de fazer, de sustentar, de preparar, tem receitinha e é ai que mora o fantástico da coisa. Pouca gente sabe disso.
O amor de verdade não é Miojo, da trabalho, as vezes precisa de uma ou outra iguaria para temperar, é preciso ficar de olho para não desandar.
O amor Miojo vai te cobrar barriga cheia mais tarde e coração cheio também, claro vai ser mais fácil, mas com certeza não terá o mesmo sabor.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A rosa e o espinho

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha magoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Que eu quero passar com a minha dor...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A raiva que constrói

 
Quando alguém nos magoa e nos faz sofrer, o que acontece? Ou se fica magoada e se sofre, o que em grande parte das vezes termina em depressão, ou se fica com muita raiva. Mas a raiva – foi o que nos ensinaram – é um sentimento feio, baixo, que pessoas superiores não devem ter. Vamos discordar: uma boa raiva pode ser saudável e faz muito bem à pele, ao coração e à alma. Além de que, em certas horas, ninguém está fazendo a menor questão de ser superior. Conseguir ter raiva e passar recibo do que está sentindo é excelente para a saúde física e mental; a depressão leva a gente para a cama, tira a vontade de tudo e conduz à inércia. Já a raiva leva a gente a fazer coisas, mesmo que sejam coisas erradas. Na depressão, você não se levanta nem para ir ao cabeleireiro; já na hora da raiva, você pinta o cabelo de vermelho e, ainda que fique péssimo, é bem mais bacana que ficar prostrada olhando para o teto.
Exemplos são sempre ótimos: se uma mulher é abandonada por um homem, entre o desespero e o ódio, o que é melhor? O ódio, claro. Por raiva e ódio, as pessoas seguem em frente só para dar um bom troco e mostrar que não é qualquer coisa – como um mal de amor – que as derruba. Quem foi o sábio que disse que viver bem é a vingança mais eficiente? A primeira providência de uma mulher com raiva é pensar: “Como é que vou me vingar?”. Para começar, mostrando que não está sofrendo. Para isso, é preciso estar na sua melhor forma, razão mais do que suficiente para perder aqueles 3 quilinhos, comprar um vestido novo, voltar a usar salto alto. Parece bobagem? Pois não é. Dificilmente você vai ver uma mulher se equilibrando num salto oito com depressão. De salto, automaticamente se encolhe a barriga, se levanta o queixo e os ombros ficam na posição certa, desafiando o mundo. E não é perfeito estar assim, em vez de arrasada? Uma coisa leva a outra: por sentimentos nobres, como o amor-próprio, o orgulho e a vaidade – e a raiva –, não se deixa a peteca cair em público, e com isso vem o hábito de não deixar a peteca cair nunca. Reflita: se você é normal, deve ter raiva de alguém. O que pode fazer para irritar esse alguém? Ficar linda, ter sucesso, ser vista sorrindo, vibrando – ser feliz, enfim.
Digamos que você seja uma desenhista de moda e que esteja sem a menor inspiração para criar a próxima coleção. Faz o quê? Pense numa pessoa que você detesta – por justa causa, é claro – e imagine que glória realizar um trabalho que seja elogiado, que faça com que você se torne a melhor de todas. Só de fantasiar esse delicioso prazer, toda a criação vai fluir fácil, como nunca aconteceu – só de raiva. A cada vez que for ao jornaleiro da esquina, lembre que pode se encontrar com ele – aquele que fez você sofrer tanto. E ele vai ver como você está muito mais linda agora, sem ele; deve estar sendo bem tratada, vai cogitar. E pode ser o máximo encontrar na esquina outro alguém que a faça “feliz para sempre”, pelo menos por uns tempos. Ou não? Por isso, querida, quando vier aquela raiva cega, aquela vontade de gritar, de xingar, de matar, transforme toda essa energia a seu favor. Assim como o amor constrói para a eternidade, a raiva pode construir a prazo bem mais curto – e de superior e inferior, afinal, todos nós temos um pouco. É uma delícia ter uma boa raiva; sobretudo, muito construtivo
 

sábado, 15 de dezembro de 2012

 
Porque amor gosta é de sorrir e de fazer surpresa. Gosta de tempo, de paciência e de carinho. Gosta de massagem, de cafuné, de deitar no colo, de passear de mãos dadas, de olhar em silêncio, de agarrar bem forte e dormir de conchinha. De passar perfume, maquiagem, camisola, de ficar confortável estendido no sofá com jeito de lagartixa.
Porque amor gosta é de sonhos conjuntos, de planos, viagens, mesmo que eles não deem certo. De flores roubadas, mordidas consentidas e velas coloridas. De conhecer e ir dançar com os amigos. De cartas compartilhadas, de choros compartilhados. De mapas de guardanapo, lembranças da infância e bússolas de papelão. De lápis de cor e giz de cera. E de romance, de conquista, de entrega, sedução, verdade. De sinceridade.
De ser e se fazer importante, pra sempre primeiro, segundo, inesquecível, com jeito de quintal, sala, quarto, varanda e jardim. Saliva, suor, cabelo, mãos, cobertor, proteção, vontade, expressão e compreensão. Descanso. Porque amor gosta é de corpo, de alma e de espírito. De doação. De perdão. De ser intenso, violento, calmo e mais que terno. Eterno. Tudo ao mesmo tempo.
Porque amor tem sabor de doce de goiabada com queijo. De chá de laranja e mel, com carinho, cuidado e edredom, aquele que cuida da gripe. De sábado em casa, com meias, frio e chocolate. De vinho tinto e pizza light se um dos dois estiver de dieta. E de volúpia. De gosto, desejo, tesão e paixão. Porque amor é essa coisa que leva a gente pra frente, em sensação, realidade, carinho, sonho ou esperança. Essa coisa que nos acalenta e que nos traz pra mais perto de Deus. Todo dia. Porque amor gosta mesmo é de alegria, mesmo quando ele dói em si mesmo. E poesia.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Do que é importante

 
Eu não vivo no raso e a esmo as coisas vindas do coração. Nunca amei a primeira vista nem esqueço tudo num piscar de olhos, então não venha querer me arrancar de uma vez àquilo que eu só sei me livrar em doses homeopáticas.
Se tudo tivesse sido claro, você tivesse sido gente fina, elegante e sincero, tudo estaria bem e eu teria aceitado melhor, talvez.
Se para você foi tudo fácil foi porque nunca existiu. Eu sinto tudo, sempre senti demais, eu senti e sinto por você e por mim até hoje.
Não é fácil pra mim que sempre fiquei aqui esperando uma migalha de qualquer coisa com a esperança batendo no peito de que você gostasse um tantinho de mim.
Eu fui muito esperançosa, de fato exageradamente esperançosa porque eu sabia que o barco era furado e que a qualquer hora ia afundar e continuei navegando sem destino.
O barco afundou, eu afundei e você se salvou. Salvou?! Não sei. O que eu sei é que você se agarrou a qualquer pedaço de qualquer coisa que não sei o que é e continuou na superfície e a salvo, típico seu. Eu que não sei nadar, fui afundando, afundando, afundando...totalmente submersa, e eu sabia que quando eu mais precisasse você não estaria ali. Eu sei disso porque você nunca esteve.
Eu penso na forma como tudo aconteceu rápido, sem despedidas, sem considerações, sem explicações. Foi tudo escapatória, disfarce, máscara, sem sinceridade sem qualquer resquício de culpa. Ai eu sinto certo alívio, certa liberdade e uma certa gratidão por ter sido assim.
Eu que sempre preferi alguém com quem compartilhar as coisas da vida hoje me vejo melhor sozinha, talvez tudo tenha servido para isso, para eu perceber que a melhor companhia para mim será sempre eu mesma, que enfrentar os medos e vícios diários sozinha é sempre mais gratificante, que no fim é sempre você com você mesmo, você e seu espelho, você e seu amor próprio que é sempre verdadeiro e o mais importante.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

 


"Meu trabalho não tem importância, nem a arquitetura tem importância pra mim. Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor, o resto é conversa fiada."
 
 

(Que o mundo tenha mais Ser Humano assim...Amém!)