"Não há paciência para uma paisagem, para um deslumbramento, para um
silêncio. Ao menos não aqui, nos trilhos urbanos, onde todos assistem à
vida passar como se estivessem na janela de um Trem (...) Empurrados por
este ritmo alucinante do cotidiano, fazemos uma leitura dinâmica dos
fatos (...). Fatos pessoais, diários, que mereceram uma espiada menos
veroz (..) A vida não vem com airbag: uma freada agora, a esta
velocidade, seria fatal. Em frente, então. Mas que cada um saiba criar
sua área privativa de descanso: um livro no final da noite, um fim de
semana na praia, uma caminhada pela manhã, uma meditação básica. Refúgios
que permitam continuar seguindo a viagem sem perder a melhor parte, que
é nossa reflexão sobre o que acontece lá fora, já que não dá para saltar
deste trem-bala."
(Trecho da crônica "Trem-bala" de Martha Medeiros)