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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Com tudo em dia

 


Vamos para com esse negócio: o tempo serve para somar e não para diminuir. A gente ouve muitos boatos por aí, um deles é que o casamento é o melhor método anticoncepcional que existe; outro é que aos poucos tudo vai sendo esquecido e desaprendido. Fico levemente entristecida, não por mim, mas pelos que pensam dessa maneira. Minha forma de pensar foi e vai ser sempre a mesma, porque eu acredito. E acredito mais ainda em quem faz questão de acreditar, mesmo que existam rumores de que é assim.

 

Eu sei que pouco a pouco tudo se modifica. Sabe o começo? Ah, o começo é lindo! Flores, bilhetinhos e todo aquele fogo que a paixonite proporciona. Depois, a calmaria. O amor chega e se instala, logo pega o controle remoto e fica zapeando. Nos primeiros meses, juras de amor. Nos outros, o surgimento do pavor. Conheço muita mulher que não aguenta ouvir a voz do próprio marido todo o santo dia. Por que isso acontece? Por que as pessoas não têm paciência? Por que não insistem? Para mim, relacionamento também é insistência. Eu insisto muito comigo mesma. E esclareço: quando você está vivendo um relacionamento estável, não pode perder a paciência por bobagem. Certas coisas você precisa deixar passar, não dá para acumular picuinhas, elas viram sofrimento e mágoa e acabam resultando em distanciamento. Por isso, insisto comigo. Calma, eu digo para mim. Respira, eu fico repetindo. E passa. Mas preciso insistir, muitas vezes, para me convencer. Por que tem gente que não consegue? Para mim, e tenho isso claro, é preguiça. Só pode.

 

As pessoas não querem mais se conquistar. Por falta de saco, vergonha ou desleixo. Qualquer relacionamento precisa de manutenção. É necessário passar um antivírus de quinze em quinze dias, uma vez por semana ou uma vez por mês. Não importa a sua frequência, mas uma relação precisa fazer exames periódicos. Todo mundo cuida da saúde. Mulheres fazem as unhas, homens a barba. Você chama o jardineiro para aparar a grama e cuidar das margaridas. Por que é tão difícil ter um relacionamento saudável? Chamo de saudável relações em que ambos se cuidam, prestam atenção um no outro. Falta de atenção mata qualquer sentimento. Se você ama, esteja atento. Você olha para os dois lados antes de atravessar uma rua, não olha? Muitas vezes, olha e olha de novo, vá que venha algum louco a mil por hora?!? Então, olhe para o seu relacionamento, olhe para a pessoa que está ao seu lado. Mas, por favor, olhe com os olhos abertos. De preferência, os olhos do coração.

 

No comecinho, todo mundo se paquera. Você quer descobrir os segredos e desejos do outro, e ele os seus. Você cuida cada gesto, para desvendar a pessoa. Por isso, é tão bonito dizer a-fulana-quando-está-nervosa-mexe-na-corrente-do-pescoço. O fulano olha-pra-baixo-de-um-jeito-tão-inocente.

Agora eu pergunto: hoje, agora, em um segundo, você lembra coisas que gosta na pessoa que se relaciona? No que ela te encanta? Quais são as maiores qualidades? Você identifica quando ela está alegre ou triste ou perturbada? Porque as pessoas mentem, se escondem atrás de um tudo-bem ou de um deixa-pra-lá.

 

Com o tempo, você deita ao lado e dorme. Não faz mais cafuné, não pega na mão, não abraça, não beija, não faz gentileza, não deixa bilhetinho embaixo do travesseiro, no carro, na mochila, na agenda, na geladeira, no espelho do banheiro. Com o tempo, você deixa de transar e de dizer que ama. Deixa de dar abraço forte e beijo de língua. De ver o sol se pôr. De chamar para olhar uma coisa bonita. De escrever uma carta. De comprar o iogurte preferido dele. De elogiar a cor da blusa dela. De lembrar, no meio da tarde, de mandar uma mensagem no celular. De fazer surpresas bobas. De aparecer quando o outro menos espera. De adivinhar o que o outro pensa. Com o tempo, você esquece coisas importantes. Do começo. Da história. Dos momentos pequenos e bons. Com o tempo, o beijo fica morno. O sexo, quando existe, fica mecânico, automático, sem graça. Fica tudo programado. Com o tempo, acaba a luz da vela, a musiquinha, o clima. Com o tempo, você acaba não reconhecendo mais a pessoa pela qual você se apaixonou. Agora eu pergunto: precisa de tudo isso?

 

Quem sabe a gente corre contra o tempo? Quando vejo casais de velhinhos se divertindo, andando de mãos dadas, indo ao cinema e saindo para jantar ou dançar, fico feliz. Que coisa bonita essa de conquistar sempre e sempre e sempre. De verdade, acho nobre. O amor é um sentimento tão belo para ficar assim esquecido, jogado, deixado de lado. Cada vez que vejo um senhorzinho olhando para a senhorinha com aquele olhar de poxa-você-é-tudo-o-que-eu-queria, abro um sorriso. E penso que vale, sim, a pena acreditar. Não é mágica, é só cuidado. Bem mais simples do que parece. Mas é preciso querer com o corpo inteiro.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A língua do amor


Eu amo sem limites. É que acho que a gente tem que ser inteira. Não dá pra viver qualquer tipo de relação com um pé lá e outro aqui. Tem que colocar os dois pés no chão. Mesmo que o coração esteja em ritmo de música romântica. E a cabeça no planeta dos apaixonados.
Quando eu amo perco a razão. E me pergunto: algum dia fui racional? Vivo (e sempre vivi) guiada pelo que meu coração sussurra ou grita. E eu te confesso que de vez em quando ele fica aflito e berra. Talvez isso aconteça porque nem sempre sei ouvir as coisas direito. Meu lado cabeça dura me prende, me impede de ver o que está bem na frente dos meus olhos, me rouba os sentidos e a fala.
Fico um pouco boba, sim. Insisto em colorir as coisas, afinal ninguém quer viver com apenas uma cor. Gosto do que é bonito, do que faz bem, do que é simples e natural. E o amor me faz um bem danado. Não tem nada melhor e mais gostoso do que ser correspondida.
É bom poder contar com coisas simples. Uma delas é ter pra quem contar como foi o dia. Pedir um palpite num projeto importante. Pedir um abraço quando o mundo está chato. Encostar a cabeça no ombro e não dizer nada, apenas ouvir o som do vento lá fora. Rir de besteira. Ficar de mãos entrelaçadas assistindo televisão. Encostar o pé no pé do outro, na cama, vendo “House”. Ganhar café da manhã na cama. Aprender a rir das pequenas discussões que acontecem em qualquer relacionamento. Entender que a gente não deve guardar mágoa, pois toda mágoa vira um rancor chato colado no peito.
Sinto um certo medo. Acho que ele faz parte quando a gente ama. Dá um medo tímido de perder o ser amado. Dá uma certa sensação de sufocamento só de pensar em não ter mais aquela pessoa ao seu lado. Uma angústia que aperta o peito e cutuca a alma.
Às vezes, meus pensamentos ficam nublados. Minha cabeça fica cheia de caraminholas. Elas não dão trégua, não dão folga, ficam esperando meu primeiro passo em falso. É que o diabinho adora espetar a gente com seu tridente. Fica tentando estragar coisas que são boas. Fica tentando criar situações que só existem na nossa imaginação. Porque a nossa imaginação é fértil e louca demais. E sempre dá voltas e voltas e voltas e voltas infinitas. Mas a gente tem que andar mais rápido que ela e aprender a ouvir o que a emoção fala. E a emoção só conhece a língua do amor.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Porque só os amores guerreiros sobrevivem ao tempo e à distância


Como amar de longe? Sempre achei que amor tem gosto, cor e som. Não é à toa que os apaixonados têm uma música. Quem ama é capaz de suportar muitas coisas. Manias, defeitos, esquisitices, teimosia e loucurinhas diárias. Acredito que o amor é a base de tudo, é o que sustenta, o que dá suporte, o que conforta, o que nos e...stimula a seguir em frente. Mas o amor não é tudo na vida. Antes da gente amar alguém tem que se amar primeiro. Clichezão, antigo e muito real. Não dá para colocar o outro na sua frente. Não dá pra ceder o lugar, dar passagem. Você precisa estar bem e em paz pra conseguir dar e receber o amor de alguém. Durante muito tempo estive perdida. Não sabia direito o que queria e, principalmente, quem eu queria. Acreditava em modelos. O cara tem que ser assim e assado, tem que ter tal idade, olho de tal cor. O amor não tem manual. E nem enciclopédia. Mas isso eu aprendi bem depois. É que a gente tem que estar preparada para o amor. Vejo gente reclamando nada-dá-certo-pra-mim. Eu também há pensei isso um dia. Vi que as coisas não davam certo porque eu não estava preparada, porque acreditava em ilusões, porque não me via de verdade, porque buscava coisas erradas, porque minha vibração atraía os tipos mais estranhos e problemáticos. Sim, a gente atrai o cara maluco, o cara complicado, o cara enrolado, o cara cafajeste. O outro te trata como você se trata. A frase é simples, todo mundo sabe, mas ninguém coloca na prática. Você coloca limites, você diz que isso serve e aquilo não. A pessoa dança conforme a música. E você escolhe o que vai colocar na vitrola. Insisto que a gente precisa se respeitar, se cuidar. Só assim o outro vai querer te cuidar também. O amor é bonito, sim. É aprendizado, é luta diária, é glória, é superação, é vontade, é cumplicidade, intimidade, amizade. E acima de tudo o amor precisa ser paciente. Muito paciente. Tem que entender que tudo tem sua hora. Que às vezes a distância dói, machuca e lateja. Amar de longe não é fácil. É complicado não acordar com aquele cheiro, aquele calor do corpo, aquele abraço. É doloroso não ter aquela voz no ouvido, aquele colo, aquela risada boa e boba. Pode ser logo ali, naquela cidade que fica a quarenta e cinco minutos de avião. Pode ser lá longe, em outro país. Pode ser em outro estado. Pode ser do outro lado do oceano. Não importa: a saudade arde. Mas serve para nos mostrar como o outro é importante. Serve para mostrar como pequenas coisas fazem falta. A saudade faz a gente prestar mais atenção no outro. E, principalmente, a saudade mostra o que é de verdade. Porque só os amores guerreiros sobrevivem ao tempo e à distância.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Lista de desejos


Ah, como eu queria que o que a gente sente um pelo outro fosse forte o suficiente para te fazer ficar. Para te fazer me amar mais que tudo. Para te fazer ter coragem. Para te fazer permanecer ao meu lado quando o mundo ficar bagunçado ou trêmulo.

Ah, como eu queria que os olhares e sorrisos dos primeiros encontros acontecessem em todos os nossos encontros. Que o amor não ficasse capenga. Que não usasse bengala ou muletas.

Ah, como eu queria que a falta de paciência e a presença da rotina não destruíssem essa relação tão bonita e pura. E que a maldade dos outros jamais nos afetasse.

Ah, como eu queria que o vento levasse nossas asperezas, nossos ruídos, nossas palavras duras. E que nosso coração não empilhasse uma mágoa em cima da outra. E que a gente cicatrizasse rápido. E que as cicatrizes se transformem em marcas bonitas.

Ah, como eu queria que nossos defeitos aprendessem a dançar. Um dia, valsa. No outro, samba. E no outro, bolero. Em cada momento um novo passo.

Ah, como eu queria que existisse amor eterno. Para poder te amar até o último dia da minha vida. De uma forma clichê, antiga e bela.

Ah, como eu queria que nossas mãos enrugadas se tocassem com admiração e respeito. E que continuassem juntas por todo o tempo que ainda nos resta.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O amor pode durar

Acho tão bonito casais que duram. Não importa o tempo, o que vale é a intensidade. Querer estar junto vale muito mais do que estar junto há 20 e tantos anos só por comodidade. Sei que estou falando obviedades, mas hoje vi um casal de velhinhos na rua.


Me doeu de uma forma linda. Acho que o amor, quando é amor, tem lá suas dores bonitas. A gente vê uma cena e o coração fica emocionado. Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no próprio umbigo e nos próprios problemas, com tanta disputa pelo poder, pelo dinheiro, por ter mais e mais, sei lá, acho bonito ver um casal de velhinhos na rua.


A mão, enrugadinha, segura a outra mão. A outra mão, por sua vez, segura uma bengala. Falta equilíbrio, sobra experiência. Falta a juventudade, sobra história para contar. Falta uma pele lisa, sobram marcas de expressão que contam segredos. Envelhecer não é feio. Em tempos de botox, a gente devia olhar um pouco para dentro. De si. Do outro. Do amor.


As pessoas não têm paciência para relacionamentos. Se está ruim elas simplesmente trocam. Não tentam, não se empenham, não lutam para dar certo. Não acho que a gente tem que aceitar tudo que o outro nos dá. Não acho que temos que cruzar os braços para o que está errado. Mas o amor exige uma dose de sacrifício. O amor não é descartável. O amor não pode ser jogado fora. Não dá pra fazer uma lipo no amor. A gente tem é que lutar por ele. Diariamente.



Os casais antigos são mais pacientes com os erros e os defeitos do outro. Não acho que mulher tem que ser dona de casa e aceitar um par de chifres. Mas acho que a mulher tem que entender que o homem é diferente. E vice-versa. A mulher quando quer ajuda quer agora e não daqui a cinco minutos. Diferenças de gênio, diferenças de gênero. E que bom que elas existem. E que bom que existem casais com cabelos bem branquinhos e olhares meigos para nos lembrar que o amor pode durar, sim.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A felicidade tem um gosto diferente


Fonte: We heart it 
Muitas coisas estão acontecendo aqui dentro e sinto um desejo enorme de mostrar para você o quanto aprendi, cresci e descobri mais sobre a vida. Sempre vivi de um jeito diferente, hoje entendo o lado de fora. No começo, me assustei. No meu mundo encantado todas as pessoas têm algum lado bonito. Descobri, com dor, que muita gente é feia. Eu gosto de palavras claras e sentimentos puros. Muitos não entendem esse meu jeito, mas não me assunto nem me espanto: deixo rolar.
Comecei a viver uma vida dupla: pra fora e pra dentro. Ao mesmo tempo em que enxergo o mundo do jeito que ele é eu sonho com o mundo do jeito que eu gostaria que fosse. Pessoas mais francas, versos mais simples, pra quê complicar? Fiz alguns poemas, logo eu que adoro crônicas, e guardei. Não quero ler pra ninguém, mas eles falam disso, do crescimento, do aprendizado. Me sinto tão mirim, mas tão sábia. E percebo que quanto mais a gente acha que sabe menos sabe. E deduzo que nada sei, que tenho que aprender mais e mais sobre as coisas.
Queria hoje poder abraçar o mundo, as coisas, as causas. Posso? Se me for permitido, gostaria de deixar um ensinamento: nada é tão ruim quanto parece e a vida pode ser bem difícil pra quem não sabe se perdoar. Eu me perdoo. Por tudo. Pelos meus erros, pelos meus acertos, pelas minhas verdades. Hoje eu me permito ser feliz. Eu tinha tanto medo de ser feliz, me sentia culpada. Como posso ser feliz? Não, não, algo está errado.
Quando tudo caminhava bem eu pensava que Murphy me daria um beliscão. Não conseguia relaxar, reclamava, visualizava algum desastre. Não sei se era medo ou punição, porque a gente vive se punindo por coisas que nem existem. Não somos deuses e nem sabemos se eles existem de verdade. Cada um com sua crença, eu acredito que incensos limpam ambientes e purificam almas. E também acho que sal grosso livra a gente do olho gordo. Acredito, na verdade, em muitas coisas. Mas quer saber, de verdade, o que eu mais acredito hoje? Que posso ser feliz sem culpa. Minha vida nunca esteve tão doce.



sábado, 23 de julho de 2011

Sobre as drogas


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Hoje a Amy morreu. E eu realmente gostava da Amy. Da voz, por mais que ela esquecesse a letra de alguma música nos shows e mandasse os fãs pra puta que pariu. Por mais que ela mostrasse os peitos na janela do hotel. Por mais maluca que ela era não dá pra negar o talento que ela tinha. É uma pena que as drogas tenham sido mais fortes que a Amy. É uma pena que a gente só pare e pense que existe cocaína, crack, heroína, maconha e outras tantas merdas que destroem corpo e alma quando algum famoso morre. Todo santo dia morre um João, um Marcos, um Rafael, um Zé. E ninguém liga, ninguém anuncia no Estadão. E eles também eram importantes, sim. Tinham pai, mãe, irmão, sobrinho, filho. Tinham alguém que sofria o sofrimento deles. Mas nada disso vira notícia.

Até quando o ser humano vai precisar de bengalas e paliativos? Até quando a gente vai ter que afogar uma mágoa numa garrafa de Caninha 51 (uma boa ideia)? Até quando as noitadas terão drogas para animar? Até quando o dia seguinte terá alguma droguinha para ser suportável? Até quando a gente vai tentar se livrar de algumas dores procurando outras? Até quando a gente vai se enganar e achar que essas merdas resolvem de fato alguma coisa?

Meu avô bebia. Bebia muito. Bebia a ponto de ser alcoólatra. Sinceramente, não lembro dele assim. Lembro das histórias que ele contava, do carinho que me dava. Não lembro da figura dele alta, não recordo nenhum vexame, nenhum fiasco. Mas sei que fazia. Sei que ele de vez em quando dava trabalho, sei que meu pai e meus tios devem ter sofrido bastante. Sei que minha avó deve ter passado o maior sufoco. Ele não era uma pessoa ruim. Mas ele bebia. E a pessoa que ele virava quando bebia era outra. Ou as pessoas já nem sabiam mais como ele era de fato, de tanto que bebia.

Quem usa qualquer tipo de droga se transforma. E essa transformação vai acontecendo devagar, aos poucos. Quando a gente vê já nem lembra mais de como era antes. Quando a gente vê já nem dá pra voltar atrás. Sei que existe aquele papo de ah, pra tudo a gente dá um jeito. Desculpa, mas não é. Não dá. Tem coisa que exige muito da gente. Não é aquela força de vontade não-posso-comer-chocolate. Vai além.

Lágrimas vão e vem, feito onda. Mães acorrentam filhos para que eles não saiam em busca do crack. Adolescentes roubam pai, mãe, transeuntes. Até quando? O que falta? Educação? Conhecimento? Disciplina? Clareza? Força? Eu já experimentei drogas, pura curiosidade. Nunca fui viciada, nunca quis isso para a minha vida. Queria ver o que era. Vi. E não foi bonito. Vi amigos se ferrando, vi gente boa virando ruim. É um caminho difícil, apavorante. E a família se envolve, se une, se doa, sofre.

A gente não pode depositar as frustrações num baseado, numa carreira, num copo de uísque. A gente não pode colocar a culpa da falta de grana, falta de amor, falta de qualquer coisa no crack. A gente não pode achar que fumar um é diversão, relax. Não. É errado. Hoje em dia mais e mais crianças e adolescentes fumam cigarro, maconha, bebem nas festas e voltam trocando as pernas para casa. Os pais não enxergam ou se enxergam acham que é normal. Todo mundo tem um amigo drogado ou chegado na birita. Todo dia vejo mendigos caindo de bêbados. Onde a gente vai parar desse jeito? Onde os adolescentes e crianças vão parar? Onde nossos amigos vão parar? Onde nossos parentes vão parar? Esse problema não é só meu. É seu, do meu vizinho, da sua tia, de todos nós. Está mais do que na hora da gente parar e pensar no que está acontecendo no mundo.

Perfeito Clarissa...é isso ai.